Poemas escolhidos – Mia Couto.
Natanael Vieira*
Texto feito com a utilização da liberdade de escrita.
A obra intitulada Poemas escolhidos de Mia
Couto foi apresentado por José Castello em uma antologia poética em 2016, foi
feita em São Paulo pela Companhia das Letras, teve como elaboração uma maneira
sublime e com resquícios de bastantes características própria do autor. Mia
Couto é um escritor moçambicano que começou desde cedo a publicar seus versos
no Jornal Notícias da Beira, é biólogo, jornalista e autor de mais de trintas
livros entre prosa e poesia, é um dos mais importantes escritores da Literatura
contemporânea em Língua portuguesa e um dos mais apreciados, expressivo e
defensor da Literatura Africana. Por sua vez, José Castello é escritor,
jornalista e crítico literário brasileiro foi o responsável pela seleção dos
poemas de três obras de livros líricos de Couto: Idades cidades divindades;
Raiz de Orvalho e outros poemas e Tradutor de chuvas, tendo como resultado esse
livro de bastante expressividade no cunho literário da contemporaneidade.
Ao
sentar-me e tomar posse do livro Poemas escolhidos, de antemão, pude observar
na orelha da obra uma descrição de profunda leveza e simpatizante para com o
meu eu-leitor, em seguida passei a degustar de forma consciente e deslumbrado o
prólogo onde José Castello reiterou o que já tinha imaginado ao abrir a primeira
página do livro, ele simplesmente abriu a porta da compreensão literária que
continha nas entrelinhas de cada criação de Mia Couto.
Quando
comecei a apreciar minuciosamente cada poema encontrei nos versos de Couto
características de um verdadeiro poeta-escritor; aos poucos tinha como
explicação que ele dava destaque e seguia na sua escrita falando sobre as suas
memórias; o amor; o medo, a dor; a prisão e outras angústias que rapidamente
mexiam com os sentimentos mais profundos da alma. Couto desenvolvia há cada
verso uma atração a mais que
seduzia-me ao ponto de fazer querer-me logo finalizá-lo, tão tanto que
rapidamente cheguei ao fim e pude saciar da reflexão filosófica transmitida nas
entrelinhas dos seus versos.
Diante de todos os poemas contidos na obra
é relevante destacar os que mais me chamaram a atenção e fez assim sair do meu
comodismo literário. O poema Idades trouxe
à tona aquela velha vontade de ser independente, crescer logo e ser dono de si,
chegando a essa realização, tem-se a vontade de retornar a infância onde tudo
era bem mais fácil, ou até mesmo de voltar antes do seu nascimento, e isso fica
explicito quando o autor descreve – Agora/
quero apenas/ o que havia antes de haver vida. / A semente; Os versos de um prisioneiro (2)
limita-se murmurar sobre o pilar do sofrimento, onde o poeta encontra-se na
inquietude sofrida deixadas nas memórias de ter amado; Versos do prisioneiro (8) queixa-se e dá ênfase ao acolhimento
advindo da escrita e das palavras, deixando o escritor em uma comunhão com a
poesia; O poema, O poeta, declama
sobre a sua vivência com as palavras poéticas, e isso destaca-se onde Couto
diz- O poeta não gosta de palavras:
escreve para se ver livre delas. E assim sucessivamente, o leitor sempre
terá apego mais com um ou com outro poema, mas, sobretudo, as palavras contidas
no livro trabalham de forma simples, coesa e com bastante aproximação para com
o entendimento do leitor.
Em
suma, o livro Poemas escolhidos
possuem características e fenômenos literários que há cada nova leitura
conseguirá facilmente encantar qualquer leitor, pois José Castello soube muito
bem aproveitar os ricos e expressivos poemas de Mia Couto, sabendo transcrever
e fazendo um marketing poético desde a capa até a última página do livro. É uma
leitura de muita recomendação por ter-me proporcionado uma nova visão literária
e principalmente um novo entendimento sobre o pilar da poesia. E por fim, deixo
como ênfase uma frase de bastante relevância para ser refletida, Couto diz que
– “A poesia não é um tapete sedoso, mas, ao contrário, uma dura estrada de
terra – e por isso inclui, necessariamente a dor”.
Referência:
Couto, Mia
Poemas
escolhidos/ Mia Couto; apresentação José Castelo
-
1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
*Discente do Curso de Licenciatura em Língua
Portuguesa e Literaturas da Língua Portuguesa, escritor, possuo dois livros
publicados, blogueiro, professor de Redação, tenho várias participações em
diversas antologias no Brasil e duas participações em antologias na Argentina.

A literatura é terra dura, mas também um terreno fértil para cultivar a cidadania e respeito de gerações. Estamos ficando velhos para contar histórias. Viva Mia Couto.
ResponderExcluirInteressante síntese a cerca da obra Poemas escolhidos. Gosto quando você destaca alguns poemas e fala sobre o que mais chamou sua atenção em cada uma. Cada leitura nos acolhe de maneira diferente e atua visão sobre esta obra me parece que também foi inspirada pelo poeta que existe em você. Parabéns.
ResponderExcluirMia Couto é um autor de talento singular que nos inspira com a excelência de suas obras. Tive a honra de apreciar um de seus grandes sucessos entitulado "Mulheres de Cinza" simplesmente divino.
ResponderExcluirMuito bem Natanael, parabéns.
Mia Couto é um autor de talento singular que nos inspira com a excelência de suas obras. Tive a honra de apreciar um de seus grandes sucessos entitulado "Mulheres de Cinza" simplesmente divino.
ResponderExcluirMuito bem Natanael, parabéns.