segunda-feira, 8 de abril de 2019

Poemas escolhidos - Mia Couto



Poemas escolhidos – Mia Couto.

Natanael Vieira*

 Texto feito com a utilização da liberdade de escrita.

A obra intitulada Poemas escolhidos de Mia Couto foi apresentado por José Castello em uma antologia poética em 2016, foi feita em São Paulo pela Companhia das Letras, teve como elaboração uma maneira sublime e com resquícios de bastantes características própria do autor. Mia Couto é um escritor moçambicano que começou desde cedo a publicar seus versos no Jornal Notícias da Beira, é biólogo, jornalista e autor de mais de trintas livros entre prosa e poesia, é um dos mais importantes escritores da Literatura contemporânea em Língua portuguesa e um dos mais apreciados, expressivo e defensor da Literatura Africana. Por sua vez, José Castello é escritor, jornalista e crítico literário brasileiro foi o responsável pela seleção dos poemas de três obras de livros líricos de Couto: Idades cidades divindades; Raiz de Orvalho e outros poemas e Tradutor de chuvas, tendo como resultado esse livro de bastante expressividade no cunho literário da contemporaneidade.

            Ao sentar-me e tomar posse do livro Poemas escolhidos, de antemão, pude observar na orelha da obra uma descrição de profunda leveza e simpatizante para com o meu eu-leitor, em seguida passei a degustar de forma consciente e deslumbrado o prólogo onde José Castello reiterou o que já tinha imaginado ao abrir a primeira página do livro, ele simplesmente abriu a porta da compreensão literária que continha nas entrelinhas de cada criação de Mia Couto.

            Quando comecei a apreciar minuciosamente cada poema encontrei nos versos de Couto características de um verdadeiro poeta-escritor; aos poucos tinha como explicação que ele dava destaque e seguia na sua escrita falando sobre as suas memórias; o amor; o medo, a dor; a prisão e outras angústias que rapidamente mexiam com os sentimentos mais profundos da alma. Couto desenvolvia há cada verso uma atração a mais que seduzia-me ao ponto de fazer querer-me logo finalizá-lo, tão tanto que rapidamente cheguei ao fim e pude saciar da reflexão filosófica transmitida nas entrelinhas dos seus versos.
           
Diante de todos os poemas contidos na obra é relevante destacar os que mais me chamaram a atenção e fez assim sair do meu comodismo literário. O poema Idades trouxe à tona aquela velha vontade de ser independente, crescer logo e ser dono de si, chegando a essa realização, tem-se a vontade de retornar a infância onde tudo era bem mais fácil, ou até mesmo de voltar antes do seu nascimento, e isso fica explicito quando o autor descreve – Agora/ quero apenas/ o que havia antes de haver vida. / A semente; Os versos de um prisioneiro (2) limita-se murmurar sobre o pilar do sofrimento, onde o poeta encontra-se na inquietude sofrida deixadas nas memórias de ter amado; Versos do prisioneiro (8) queixa-se e dá ênfase ao acolhimento advindo da escrita e das palavras, deixando o escritor em uma comunhão com a poesia; O poema, O poeta, declama sobre a sua vivência com as palavras poéticas, e isso destaca-se onde Couto diz- O poeta não gosta de palavras: escreve para se ver livre delas. E assim sucessivamente, o leitor sempre terá apego mais com um ou com outro poema, mas, sobretudo, as palavras contidas no livro trabalham de forma simples, coesa e com bastante aproximação para com o entendimento do leitor.

            Em suma, o livro Poemas escolhidos possuem características e fenômenos literários que há cada nova leitura conseguirá facilmente encantar qualquer leitor, pois José Castello soube muito bem aproveitar os ricos e expressivos poemas de Mia Couto, sabendo transcrever e fazendo um marketing poético desde a capa até a última página do livro. É uma leitura de muita recomendação por ter-me proporcionado uma nova visão literária e principalmente um novo entendimento sobre o pilar da poesia. E por fim, deixo como ênfase uma frase de bastante relevância para ser refletida, Couto diz que – “A poesia não é um tapete sedoso, mas, ao contrário, uma dura estrada de terra – e por isso inclui, necessariamente a dor”.

Referência: Couto, Mia
Poemas escolhidos/ Mia Couto; apresentação José Castelo
- 1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

*Discente do Curso de Licenciatura em Língua Portuguesa e Literaturas da Língua Portuguesa, escritor, possuo dois livros publicados, blogueiro, professor de Redação, tenho várias participações em diversas antologias no Brasil e duas participações em antologias na Argentina.






4 comentários:

  1. A literatura é terra dura, mas também um terreno fértil para cultivar a cidadania e respeito de gerações. Estamos ficando velhos para contar histórias. Viva Mia Couto.

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  2. Interessante síntese a cerca da obra Poemas escolhidos. Gosto quando você destaca alguns poemas e fala sobre o que mais chamou sua atenção em cada uma. Cada leitura nos acolhe de maneira diferente e atua visão sobre esta obra me parece que também foi inspirada pelo poeta que existe em você. Parabéns.

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  3. Mia Couto é um autor de talento singular que nos inspira com a excelência de suas obras. Tive a honra de apreciar um de seus grandes sucessos entitulado "Mulheres de Cinza" simplesmente divino.
    Muito bem Natanael, parabéns.

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  4. Mia Couto é um autor de talento singular que nos inspira com a excelência de suas obras. Tive a honra de apreciar um de seus grandes sucessos entitulado "Mulheres de Cinza" simplesmente divino.
    Muito bem Natanael, parabéns.

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